Chuvas históricas devastam Juiz de Fora e região, deixam 59 mortos e mobilizam onda nacional de solidariedade

A tragédia provocada pelas fortes chuvas que atingem Juiz de Fora e cidades vizinhas da Zona da Mata mineira expôs não apenas a dimensão da destruição, mas também o alto risco que eventos climáticos extremos representam para a população. Desde a última segunda-feira (23/2), o volume intenso e persistente de precipitação elevou rios, encharcou encostas e provocou enchentes e deslizamentos de terra em diversos bairros.

Até as 17h45 desta quinta-feira (26/2), as autoridades confirmaram 59 mortes: 53 em Juiz de Fora, onde 13 pessoas seguem desaparecidas, e 6 em Ubá, com 2 desaparecidos. Mais de 5.500 moradores foram obrigados a deixar suas casas, há áreas completamente isoladas e foi decretado estado de calamidade pública.

O perigo, no entanto, não se resume aos danos já registrados. O solo encharcado aumenta significativamente o risco de novos deslizamentos, principalmente em regiões de encosta e áreas com ocupação irregular. Além disso, o transbordamento de córregos e rios pode ocorrer de forma rápida, dificultando a evacuação segura de moradores. Especialistas alertam que, mesmo quando a chuva diminui, o risco permanece elevado por causa da instabilidade do terreno.

As buscas por desaparecidos entraram no terceiro dia, conduzidas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Durante a madrugada, as operações precisaram ser suspensas temporariamente devido ao alto volume de chuva e ao risco de novos deslizamentos, o que evidencia a complexidade e o perigo enfrentado pelas equipes de resgate. Algumas ruas também foram evacuadas preventivamente para evitar novas vítimas.

Diante do cenário, autoridades reforçam orientações de segurança: evitar áreas alagadas, não atravessar enxurradas, deixar imediatamente imóveis que apresentem rachaduras, estalos ou movimentação de terra e buscar abrigo em locais seguros indicados pela Defesa Civil.

Paralelamente à gravidade da situação, uma grande corrente de solidariedade ganhou força nas redes sociais. Artistas como Luísa Sonza, Virginia Fonseca, Ana Maria Braga, Xuxa Meneghel, Angélica, Giovanna Ewbank, Rebeca Andrade e Pedro Scooby, entre outros, compartilharam campanhas de arrecadação e incentivaram doações de itens essenciais e apoio financeiro às famílias afetadas.

Em meio ao luto e à apreensão, a mobilização nacional reforça a importância da prevenção, da informação e da solidariedade. Enquanto as chuvas continuam sendo monitoradas e o risco permanece, a prioridade segue sendo salvar vidas, garantir abrigo aos desabrigados e iniciar, o quanto antes, o processo de reconstrução das áreas atingidas.