Policial civil preso pela PF em operação contra contrabando já foi alvo de outras duas investigações e recebe mais de R$ 14 mil
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (18), o policial civil Célio Rodrigues Monteiro durante uma operação que investiga um esquema milionário de contrabando com ramificações em Mato Grosso do Sul e outros estados. A ação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e incluiu o cumprimento de mandados em Campo Grande.
Equipes foram até a residência do investigador, localizada no Bairro Pioneiros, onde realizaram a prisão. O imóvel, situado em uma esquina com acesso por duas ruas, teve os portões fechados durante a ação. Uma viatura da corregedoria chegou a entrar na garagem antes da abordagem ser concluída.
Segundo dados do Portal da Transparência do Governo do Estado, o policial recebe salário de R$ 14.169,84. Atualmente, ele está lotado no município de Sidrolândia, a cerca de 71 quilômetros da Capital. A delegacia da cidade também foi alvo de mandado de busca e apreensão, onde agentes federais permaneceram por cerca de 20 minutos recolhendo materiais e informações.
Outro policial também foi preso
A operação também resultou na prisão de Edivaldo Quevedo da Fonseca, outro policial civil, que atua na 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, localizada na Vila Piratininga. Conforme o Portal da Transparência, ele possui remuneração de R$ 14.647,85.
De acordo com a Polícia Federal, os dois integram uma organização criminosa investigada no âmbito da Operação Iscariotes, que apura a atuação de agentes públicos, tanto da ativa quanto aposentados, no apoio a atividades ilegais.
Esquema envolvia uso da estrutura policial
As investigações apontam que o grupo criminoso utilizava a estrutura e o acesso privilegiado de agentes de segurança pública para viabilizar o esquema. Entre as práticas identificadas estão o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais, além do transporte de mercadorias ilegais com possível uso da função pública para facilitar a logística e evitar fiscalizações.
Os envolvidos são suspeitos de participação em crimes como contrabando, descaminho, corrupção e lavagem de dinheiro. Durante o curso das investigações, a Polícia Federal realizou diversos flagrantes, incluindo situações que indicam a atuação direta de policiais no esquema.
Após a entrada irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e enviados para outros estados, principalmente Minas Gerais. Em muitos casos, as mercadorias eram fracionadas e misturadas a cargas lícitas, estratégia utilizada para dificultar a fiscalização.
A operação foi coordenada pela Polícia Federal, por meio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz) em Mato Grosso do Sul, com apoio da Receita Federal.
Histórico de investigações
Célio Rodrigues Monteiro já havia sido alvo de outras operações nos últimos anos. Em 2020, ele foi investigado na Operação Omertà, que apurava um esquema de lavagem de dinheiro ligado à exploração do jogo do bicho. Na ocasião, chegou a ser preso, mas acabou sendo absolvido em primeira e segunda instâncias.
Mais recentemente, em 2024, o policial voltou a ser investigado durante a Operação Snow, que apurava o tráfico de cocaína. Um dos elementos da investigação foi o registro de um encontro entre Célio e o traficante Douglas Oliveira Santander, conhecido como “Dodô”, em frente à 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, em novembro de 2023. Após essa operação, ele foi transferido para Sidrolândia.
Significado do nome da operação
O nome da operação, “Iscariotes”, faz referência a Judas Iscariotes, personagem bíblico conhecido por trair Jesus Cristo. A escolha do nome, segundo investigadores, remete à suposta traição de agentes públicos que deveriam zelar pela segurança, mas teriam atuado em benefício de organizações criminosas.