SUS e prefeitura avaliam decretar emergência sanitária em Dourados diante de surto de chikungunya

Em meio ao avanço preocupante da chikungunya, que já provocou quatro mortes em aldeias indígenas de Dourados, equipes da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) chegam ao município nesta quarta-feira (18) para reforçar o enfrentamento à doença. A missão inclui reuniões com representantes da prefeitura, do Governo do Estado e de entidades indígenas, com o objetivo de avaliar o cenário epidemiológico e definir medidas emergenciais. As informações foram confirmadas ao jornal Primeira Hora Online pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a Prefeitura de Dourados, uma das principais pautas será a possível decretação de Emergência Sanitária no município. A decisão, segundo a administração municipal, deverá ser tomada de forma conjunta entre os entes envolvidos. Caso o decreto seja oficializado, poderá viabilizar ações mais rígidas e imediatas, como a intensificação de mutirões, ampliação da estrutura de atendimento e até a suspensão temporária de aulas nas escolas localizadas na reserva indígena.

A partir de quinta-feira (19), a Força Nacional do SUS deve atuar diretamente nas comunidades, reforçando ações de combate às arboviroses. Entre as medidas previstas estão visitas domiciliares para eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da chikungunya, dengue e zika.

Neste momento, as equipes estão em deslocamento para Dourados. Parte dos profissionais deve chegar ainda na manhã desta quarta-feira, enquanto o restante será mobilizado ao longo do dia. O Ministério da Saúde informou que, devido à complexidade da operação, ainda não há um número exato de agentes envolvidos.

Quatro mortes confirmadas

O Ministério da Saúde confirmou, na terça-feira (17), a quarta morte por Chikungunya em Mato Grosso do Sul. Todas as vítimas são de Dourados e residiam na maior reserva indígena urbana do país.

A mais recente vítima é uma mulher de 60 anos, com comorbidades, que morreu na última quinta-feira (12). Dias antes, um bebê de apenas três meses também não resistiu à doença. As outras mortes envolvem idosos de 69 e 73 anos.

Os casos estão concentrados na Reserva Indígena de Dourados, que abriga mais de 15 mil moradores em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares. O bebê vivia na Aldeia Bororó, enquanto as demais vítimas eram da Aldeia Jaguapiru. Já Campo Grande não registra, até o momento, casos suspeitos da doença.

Casos em alta no Estado

Em um intervalo de apenas dez dias — entre 7 e 17 de março — Mato Grosso do Sul registrou aumento de 7,89% nos casos prováveis de chikungunya, passando de 2.446 para 2.639 notificações.

O Estado lidera o ranking nacional de incidência da doença, com 90,2 casos a cada 100 mil habitantes, índice muito superior à média nacional, que é de 7,8.

O avanço da chikungunya já vinha sendo observado desde o ano passado. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 14.096 casos prováveis e 17 mortes, consolidando-se como uma das unidades da federação mais afetadas pela doença.

Falhas na prevenção e foco do mosquito

Levantamentos recentes apontam fragilidade nas ações de combate ao mosquito transmissor. Entre os dias 9 e 11 de março, equipes da Secretaria Municipal de Saúde realizaram tratamento químico em 1.156 imóveis, encontrando focos do mosquito em 589 deles — o equivalente a 26% das residências visitadas.

Os principais criadouros identificados foram caixas d’água destampadas, lixo acumulado e pneus abandonados, ambientes ideais para a proliferação do mosquito.

Em nota, a Prefeitura de Dourados destacou que o atendimento à saúde indígena é de responsabilidade do Governo Federal, criticando falhas na prevenção. “O governo federal falha na atenção primária e nas ações preventivas nas aldeias, mas é fundamental que a população também faça sua parte”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo.

Por outro lado, o Ministério da Saúde informou que mantém monitoramento constante da situação na reserva indígena. Segundo a pasta, o Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul tem adotado medidas como a instalação de ovitrampas — armadilhas para captura de ovos do mosquito — e a realização de ações educativas com apoio de agentes indígenas de saneamento.

Diante do avanço da doença e do risco de novos óbitos, autoridades reforçam o alerta para que a população elimine possíveis criadouros do mosquito e procure atendimento médico ao apresentar sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações e fadiga.