Ferrogrão: o gargalo logístico que pode frear a safra recorde do Brasil

O país caminha para fechar o ano com uma safra histórica de grãos, estimada em 340,5 milhões de toneladas, um aumento de 16% em relação ao ano anterior. Mato Grosso segue como protagonista desse crescimento, assumindo posição de destaque mundial em produção de soja e algodão. No entanto, barreiras logísticas significativas ameaçam esse avanço.

A ferrovia Ferrogrão, traçada em paralelo à BR-163 entre Sinop (MT) e Itaituba (PA), aparece como a solução ideal para escoar a produção até os portos do Sudeste e Sul — mas o projeto segue emperrado. Desde a primeira versão do estudo de viabilidade em 2015, o projeto sofreu quatro revisões até chegar ao Tribunal de Contas da União (TCU) em 2020, quando também foi iniciado o licenciamento ambiental.

A judicialização, com atuação do PSOL, levou o STF a suspender o processo em 2021. Esse ímpasse continua atual: os ambientalistas questionam os riscos ao Parque Nacional do Jamanxim, mesmo que os defensores assegurem que o traçado permaneça dentro da faixa de domínio prévia da rodovia, com impacto estimado em apenas 0,1% da área total.  Adicionalmente, um estudo do grupo “Amazônia 2030” sugere que o retorno financeiro esperado está sete vezes superestimado, alertando para altos custos e possíveis subsídios para viabilizar a operação.

Ainda assim, defensores do projeto ressaltam os benefícios em termos de redução de custos, diminuição do tráfego de caminhões na BR-163 e menor emissão de CO₂ — pontos críticos diante da importância econômica da safra.