Inclusão da montadora em cadastro de trabalho escravo provoca embate judicial e amplia crise política
A operação que resultou no resgate de 163 trabalhadores chineses nas obras da futura fábrica da BYD, em Camaçari, na Bahia, expôs um amplo esquema de exploração trabalhista marcado por condições degradantes, jornadas excessivas e restrições à liberdade dos funcionários. A ação foi conduzida por uma força-tarefa composta por auditores fiscais do trabalho, integrantes do Ministério Público do Trabalho, agentes da Polícia Federal e intérpretes, que identificaram uma série de irregularidades consideradas compatíveis com trabalho análogo à escravidão.
Durante a fiscalização, os agentes encontraram operários vivendo em alojamentos improvisados, dormindo sobre estrados de madeira e dividindo espaços sem ventilação adequada e com graves problemas de higiene. As cozinhas apresentavam condições insalubres e havia relatos de falta de estrutura básica para alimentação e descanso dos trabalhadores. Segundo o relatório da operação, muitos funcionários eram submetidos a jornadas exaustivas, chegando a trabalhar sete dias consecutivos sem folga regular.
As investigações também apontaram que parte dos salários prometidos não era integralmente paga e que os trabalhadores tinham circulação limitada dentro dos alojamentos e canteiros de obras. Há ainda relatos de retenção de passaportes e monitoramento constante por seguranças armados, fatores que reforçaram a caracterização de condições análogas à escravidão pelas autoridades trabalhistas.
Após a repercussão do caso, a BYD foi incluída no cadastro de empregadores envolvidos com trabalho escravo, conhecido como “lista suja”. No entanto, a montadora conseguiu posteriormente uma decisão judicial que determinou a retirada temporária do nome da empresa do cadastro, o que gerou novos questionamentos sobre a condução do caso.