Advogada diz ter “cumprido pena sem condenação” após ficar fora de investigação da Operação Última Ratio

Mais de um ano após ter o nome vinculado à Operação Última Ratio, da Polícia Federal, a advogada Camila Cavalcante Bastos afirma que ainda enfrenta as consequências pessoais e profissionais do episódio. Embora não tenha sido indiciada no relatório final da investigação, ela relata que os impactos foram profundos e de difícil reparação.

A operação foi deflagrada em 24 de outubro de 2024, período em que Camila era candidata à vice-presidência da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul). Na ocasião, ela foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência e em seu escritório. Desde o início, sustentou que não era investigada formalmente, tampouco indiciada ou denunciada, tendo sido incluída apenas como alvo de diligências para esclarecimentos.

Com a conclusão do relatório da Polícia Federal — que não a cita entre os envolvidos —, a advogada afirma que o desfecho apenas confirmou o que já defendia. Ainda assim, ressalta que o reconhecimento de sua inocência não apaga os prejuízos acumulados ao longo de aproximadamente 18 meses.

“Foi algo que impactou profundamente a minha vida. Tudo virou de cabeça para baixo. Meu nome e minha reputação ficaram marcados durante esse período. Costumo dizer que cumpri uma pena de 18 meses, mesmo sem condenação”, declarou.

Segundo ela, os reflexos atingiram tanto a vida pessoal quanto a carreira profissional. Durante esse tempo, seu nome foi associado a diversas reportagens que a vinculavam a um suposto esquema de corrupção — envolvimento que nega categoricamente.

“O nome é um dos bens mais valiosos que temos. Ao pesquisar o meu, havia dezenas de notícias me associando a algo que jamais fiz, nem eu nem minha família”, afirmou.

Apesar das críticas, Camila destacou que reconhece a importância do trabalho da Polícia Federal no combate à corrupção. No entanto, pondera que determinadas práticas investigativas devem ser conduzidas com maior cautela, a fim de evitar danos a pessoas sem envolvimento nos fatos.

“É fundamental agir com responsabilidade. Há situações que acabam fragilizando a credibilidade do sistema de Justiça, como o chamado ‘fishing expedition’, quando se investiga de forma ampla na tentativa de identificar possíveis envolvidos. Nesse processo, pessoas alheias acabam sendo atingidas, e o prejuízo é incalculável”, disse.

À época da operação, a advogada decidiu se afastar voluntariamente da disputa pela vice-presidência da OAB-MS, alegando respeito à instituição e a necessidade de se dedicar integralmente à própria defesa. A chapa da qual fazia parte foi eleita, o que inviabiliza seu retorno ao cargo.

“Optei por me afastar em respeito à instituição. Hoje, não há possibilidade de retorno, pois aquele processo já foi encerrado”, explicou.

A Operação Última Ratio investigou um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo magistrados, advogados e intermediários, especialmente em disputas fundiárias e processos de alto valor em Mato Grosso do Sul. Entre os crimes apurados estão corrupção passiva, lavagem de dinheiro, extorsão, falsificação de documentos e organização criminosa.